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Archive for Dezembro, 2011

Já escolhi

Um dos meus grandes desgostos de infância foi nunca ter visto o Sporting ter sido campeão ou ter ganho alguma coisa importante.
Sempre sonhei, fazia finais da UEFA, da Taça das Taças no pequeno Hall da minha casa em jogos em que o Oceano decidia os jogos com penaltis marcados de calcanhar no último minuto do encontro (eu sei que era impossível, mas eu era um pequeno jovem inocente que acreditava no Pai Natal), grandes jogos em que o Balakov marcava golos com pontapés fortíssimo (e de vez em quando lá uma jarra ou outra sofriam as consequências).

Mas isto tudo para contar a mais dramática noite europeia que tenho memória. Depois de uma clara vitória por 2-0 em Alvalade, o Sporting ia a Salzburgo com a passagem aos Quartos de Final da Taça UEFA praticamente garantida. Sofremos o 1º golo já na segunda parte e o 2º já para lá da hora, que ditaria a ida a prolongamento. Lembro-me ainda de uma bola no barrote depois do 2º golo deles, afinal foram 2 do Capucho. No prolongamento a 5 minutos do fim lá viria a acontecer a reviravolta na eliminatória.

Tínhamos sido eliminados. O sonho de chegarmos à final caía por terra. Uma equipa liderada do Bobby Robson, com super jogadores como Valckx, Paulo Sousa, Balakov, Peixe, Figo, Cherbakov e Juskowiak tinha caído aos pés de um “fraco” (como era apelidado) adversário Austríaco. Tão fraco, tão fraco que foi eliminado imagine-se pelo poderoso Inter de Milão na… final.

Mas isto é claro que não desculpa a eliminação perante uma equipa que era de facto mais fraca que o Sporting. Também com esta eliminação ficámos sem treinador num dos actos de gestão desportiva mais ruinosos do Sporting. O despedimento de Bobby Robson, para a contratação de Carlos Queiróz.

Casino 3 – 0 Sporting

Isto tudo para dizer que quero a desforra, quero que nos calhe o Salzburgo, que deixou de ser Casino e passou a ser Red Bull, hoje no sorteio da Liga Europa.

Saudações Leoninas

As verdades de La Palisse

Hoje é escrito no pasquim da Cofina, o tal que apaga o símbolo do Leão da touca do Recordista Nacional de Natação, que o Sporting só irá recorrer ao mercado de Inverno se os jogadores a contratar forem realmente mais valias e entrarem directamente na disputa de um lugar no 11 de Domingos.

Agora eu pergunto, não seria expectável que acontecesse sempre isso? Não seria expectável que o mercado de Inverno servisse apenas para alguns ajustes ao plantel actual? Estas noticias para encher chouriços dão-me volta ao estômago.

Saudações Leoninas

Uma taça com sumo de laranja

Ver o jogo no estádio dá uma percepção diferente de ver o jogo pela TV. Quando vemos o jogo na TV muitas das vezes somos influenciados por alguns opiniadores que são pagos para dizerem aquilo que o chefe quer ouvir.

Depois de ver o jogo, em que ganhámos com toda a justiça sem que pudesse existir outro vencedor que não o Sporting, e ouvir/ler os comentários pós-jogo fiquei com a sensação que a SportTv transmitiu outro jogo que não aquele que ocorreu no estádio.

Chegar ao ponto de ler que o Belenenses esteve melhor que o Sporting, chegar ao ponto de dizer que o Belenenses podia ter chegado ao intervalo com 0-2 é para além de ridículo gozar com o Sporting, com os Sportinguistas e com os que gostam de futebol.

Dizer que defender no futebol, da maneira que o Belenenses o fez, também é arte é passar um atestado de estupidez a todos quantos gostam de futebol. Vi em Alvalade uma equipa que parecia que tinha convocado uma greve dos transportes e Barraqueiro, Carris e Rodoviária tinham estacionado as frotas dos autocarros a meio do meio campo defensivo dos azuis do Restelo.
Quando uma equipa tem um canto a seu favor e deixa perto da linha do meio campo 5 jogadores, isto ainda na primeira parte diz muito do que pretende do jogo. Quando uma equipa tem um canto contra e mete os 11 jogadores dentro ou em cima da linha da pequena área diz muito do que pretende do jogo.

Não estou com isto a querer dizer que o Belenenses devia ter vindo a Alvalade jogar de peito feito e ao ataque. Nada disso, o José do Boné fez o que lhe competia defender ao máximo e se houvesse um lance de sorte poder fazer o golo. Mas chamar a isto jogar melhor que o Sporting ou mesmo arte de defender vai uma grande diferença.

É certo que não fizemos um grande jogo, é certo que a primeira parte teve alturas em que parecia que a equipa não tinha soluções, é certo que Bojinov não pode jogar a extremo, mas fomos um justo vencedor e a única equipa que jogou para realmente vencer.

Também é certo que com a onda de lesões que afecta a equipa retira muitas soluções e que Domingos está a espremer ao máximo o plantel. Mas para estes jogos é preciso mais do que Elias e Schaars no meio campo, falta um organizador, um 10, um gajo que pegue no jogo e que desfaça os nós que os adversários deste “calibre” nos fazem.
Vimos isso quando a 25 minutos do fim do jogo, Domingos lançou o André Martins para o lugar de Elias, precavendo já o jogo com o Nacional em que Schaars não pode jogar e dando minutos ao miúdo que tem toque de bola e faz a bola rolar no relvado, que o Sporting ganhou outro ritmo, a bola não fica nos pés dele por muito tempo, quando vai receber a bola já sabe qual o destino que lhe vai dar, acelerando o jogo e abrindo espaços na muralha adversária.

Saudações Leoninas

O Desmentido Público: Braga Borges

Quarta feira, 30 de Novembro de 2011

Braga Borges, antigo jogador do Sporting de Lourenço Marques, desmente declarações de Eusébio feitas na entrevista ao Expresso publicada no passado dia 12 na Revista Única

Eusébio e as suas inverdades !

Não poderia, de forma alguma, ficar indiferente à entrevista concedida pelo Sr. Eusébio Ferreira à Revista Única de 12 de Novembro último, e justifico o que acima afirmo em poucas linhas.

Eusébio iniciou-se a jogar futebol federado em 1958, nos Juniores do Sporting Clube de Lourenço Marques (SCLM), onde jogava a interior esquerdo e eu a guarda-redes. Nascidos ambos em 1942 – ele a 25 de Janeiro e eu a 25 de Março – pertencíamos ao mesmo escalão, por isso sei do que falo. Quando diz que, com 16/17 anos, já jogava nos seniores do SCLM, porque não existiam escalões inferiores, isso não é verdade! E relembro-o que o seu, e meu, primeiro jogo oficial foi contra o Benfica de Lourenço Marques, onde vencemos por 2-0, no escalão júnior. A foto seguinte – relativa à época 1958/59 da equipa de juniores do Sporting de Lourenço Marques, tinha ele 16 anos – desmente-o.

Jogámos juntos a época seguinte, 1959/60, na qual também fomos campeões de Lourenço Marques pelo Sporting (ver segunda foto)


ESCALÃO DE JÚNIORES – ÉPOCA 1958/59 Braga Borges – André – Lino Alonso – Flores (Gomes) – Bessa –
Cunha James – Manuel António – Ashok – Eusébio – Madala


ESCALÃO DE JÚNIORES – ÉPOCA 1959/60 Braga Borges – Leitão – Bessa – Sau – James (capitão) – Coelho – Delfim – Madala – Roberto Mata – Eduardo – Eusébio – Morais Alves – Isidro

Na época de 1960/61 é que ele sobe aos seniores, já então com 18 anos. E, ao contrário do que diz, o escalão júnior existia! E o tal jogo a que se referiu na entrevista à Única, em que marcou três golos ao Desportivo de Lourenço Marques, foi como sénior. Também não é verdade que tenha chorado quando marcou ao Desportivo. Tal como a restante equipa, festejou, isso sim! E, no jogo da final, marcou os dois golos com que o Sporting de Lourenço Marques derrotou o Ferroviário, cujo guarda-redes era Acúrcio Carrelo, ex FCP. Era um tempo em que não existiam rivalidades doentias, apenas as saudáveis rivalidades desportistas.

O que eu duvido que existam são os tais irmãos engenheiros. Como conheci relativamente bem a família dele, ele que diga onde se formaram os irmãos, uma vez que na altura Moçambique não tinha universidades. Eu acho graça aos “pobres de espírito” que – sem desprimor por ninguém – julgam que ser engenheiro é chegar ao topo do Mundo.

Diz também o Sr. Eusébio que o pai foi internacional por Moçambique. Como, se Moçambique era uma província – e não uma nação? Havia, isso sim, as selecções de Moçambique e a dos Naturais da Província. Ele que diga em qual delas jogou o pai. Em nenhuma – afirmo eu! Para o fim, reservo a parte que para mim é mais importante, aquela em que afirma: “SPORTING, CLUBE ELITISTA E RACISTA”

Se éramos um clube elitista e racista, ele que explique então porque saíram do “seu” Desportivo, para jogar no Sporting, o Satar e o Merali, que eram indianos, e o Sérgio Albasini, que era mestiço. Menciono apenas estes, mas havia mais jogadores que saíram de livre vontade, pois, como bem sabem, não existiam transferências à base de dinheiro. E, já agora, que diga também quem saiu do Sporting para o Desportivo. Eu não me recordo de nenhum – e os jogadores nada recebiam, o Sr. Eusébio era a excepção !

Clube racista, diz ele… O Sr. Eusébio é que fala em racismo. Será que se recorda ? Eu avivo-lhe a memória: a dupla de centrais era composta por Satar (indiano) e Rangel (misto/chinês); o avançado centro, Maurício, era preto (para não falar do próprio Eusébio); havia ainda Morais Alves, Roberto da Mata, Madala, etc. etc. etc., todos de raças diferentes.

E porque o clube não era só futebol e integrava outras modalidades desportivas, entre as quais o basquetebol, relato aqui outro ponto que mostra bem o quanto éramos racistas. Reis Pires, basquetebolista preto, natural da Guiné e radicado na então Metrópole Portuguesa, quando cumpria o serviço militar foi transferido para Moçambique, onde recomeçou a jogar basquetebol, no Desportivo de Lourenço Marques. Mas ao fim de algum tempo quis ir jogar para o Sporting de Lourenço Marques, o tal clube que segundo o Sr. Eusébio era racista.

Racismo no SCLM ? Mais uma vez o desminto. Então e quando o Sporting era convidado a participar em torneios na África do Sul (na época do apartheid) e uma das exigências para a participação era a equipa não incluir atletas pretos, o que é que os dirigentes do Sporting faziam? Não ia ninguém, declinava os convites! E, ao contrário de outros clubes, o Sporting é que era um clube racista, segundo o Sr. Eusébio…

Rivalidades ? Na época, as rivalidades eram tantas ou tão poucas que, quando o Benfica foi campeão europeu, a direcção do Sporting de Lourenço Marques disponibilizou veículos automóveis para que todos nós, do Sporting, pudéssemos ir para as ruas de Lourenço Marques festejar o acontecimento, o que fizemos com muita alegria e muito orgulho. É este Sporting, um clube respeitado, que engloba dirigentes, formadores, atletas e adeptos, que o Sr. Eusébio tenta denegrir ? É bom que as pessoas saibam a realidade dos factos e que o conhecemos não de agora, mas de outros tempos…

A maioria dos atletas que defenderam, nas diversas modalidades, a camisola do Sporting de Lourenço Marques, felizmente ainda estão vivos e são as melhores testemunhas do que eu aqui afirmo. Muito mais haveria para dizer, mas fico-me pelo essencial.

Porque será que o Sr. Eusébio instiga ao rancor ? Será para justificar o que o Benfica lhe paga ? O amor à camisola não justifica tudo ! E é feio “cuspir no prato onde se comeu”… Esta é uma outra forma de se ser Judas. O Sr. Camilo Antunes, o Sr. Elísio Pereira e o Vigorosa já devem ter dado muitas voltas no túmulo com tamanha ingratidão.

É que, para ser respeitado, tem de respeitar! Mostrou-nos uma faceta que lhe desconhecíamos e que, a meu ver, fragiliza a sua figura como Embaixador do futebol português. Eusébio Ferreira foi um excelente jogador, hoje confunde e diz inverdades. Não tinha necessidade ! Sabes que eu tenho razão, Eusébio.

Braga Borges (antigo jogador do Sporting Clube de Lourenço Marques)

Sporting 2-0 FC Zurich

Mais um jogo mais uma vitória e mais uma prova que o Sporting está verdadeiramente de volta.

Noutras alturas uma derrota como a do Benfica tinha deitado a equipa ao solo e este jogo ia mostrar uma equipa completamente destroçada. Isto prova só o belo trabalho de balneário que o Domingos está a realizar, felizmente vou ter que dar o braço a torcer em ralação à equipa técnica, sinceramente deixa-me mesmo contente não ter razão.

Sobre o jogo há pouco a dizer, somos a melhor equipa, fomos a melhor equipa, temos jogadores tremendos, Schaars corre que cansa ver, Wolfswinkel é um avançado à séria e o André Martins é um diamante por lapidar com mais meia dúzia de quilos e mais poder de choque será uma grande pérola, assim ele queira é claro.

Mas o que me leva mais a escrever tem a ver com a revista que houve no estádio. Entrei uma primeira vez no estádio e nem me revistaram, sem problemas entrei. Tive alguns problemas de secretaria que me fizeram voltar a sair. Tudo resolvido lá fui eu de novo para a fila para entrar. Quando chegou à minha vez de ser revistado qual não é o meu espanto quando o cabrão do segurança começou a rir e disse “esses ténis…” insinuando que eu tinha alguma coisa nos ténis. Revistou-me e no fim “pode descalçar-se”. Desculpem? Ter que me descansar? Foi no mínimo ridículo, isto quando o senhor à minha frente nem foi revistado. Qual é o critério? Esta merda deixou-me mal disposto a serio mau demais.

Saudações leoninas

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